segunda-feira, 27 de março de 2017

O Teatro na Rádio

Dia Mundial do Teatro
































Há pessoas da minha primeira Rádio envolvidas neste pequeno grupo de teatro amador, que desde o passado dia 17 está a levar à cena a peça «A Excepção e a Regra», de Bertold Brecht, dramaturgo também ele ligado ao universo da Rádio.


Sobre o espectáculo

Brecht, o estranhamento, o cinema, a banda desenhada e a nossa proposta

Brecht foi um dramaturgo que acreditava que o teatro é um veículo para despertar consciências e provocar o debate. Ele procurou um teatro vivo, em constante comunicação com o espectador. Um teatro despido, onde tudo é assumidamente teatro, onde o fazer de conta é assumido, onde as personagens andam de mão dada com os actores e comunicam directamente com o espectador, questionando-o. Um teatro não contemplativo. Um teatro que procura fugir do quotidiano, para melhor o conseguir retratar.
O estranhamento é o método, o processo criativo e de montagem que o dramaturgo encontrou para pôr em prática o seu teatro revolucionário. O seu intuito era que o espectador não criasse empatia com as personagens, de modo a poder interpretar a peça enquanto esta decorria. Para tal, não se pretende criar grandes ilusões, tudo é feito às “claras”, as personagens são identificadas, a história é sabida desde o início, os artifícios teatrais, projectores, cabos, cenário, as roupas, a maquilhagem e todo o espaço envolvente não se encontram “escondidos”. As personagens falam directamente com espectador, questionam-se, funcionam como coro e entram e saem do corpo do actor frequentemente.
Por fim, a acção. A acção, tal como acontece no cinema, é fraccionada, obrigando mais uma vez o espectador a fazer parte do espectáculo, levando-o a articular a narrativa através da sua interpretação.
O cinema, era uma das paixões do autor e principalmente o cinema de Chaplin. É ao cinema e ao expressionismo que Brecht vai buscar uma das suas lentes, para trabalhar os seus textos.
A banda desenhada é a lente da nossa proposta. Actualmente, a BD já se juntou ao cinema, fundindo-se com este e desenvolvendo o “fantástico”, um género com cada vez mais adeptos.
A nossa proposta de trabalho tem a humilde pretensão de abordar este texto a partir de uma lente contemporânea, onde o teatro, o cinema e a BD se fundem numa sala de espectáculos. No final da nossa aventura, o espectador poderá ponderar se o melhor é seguirmos a regra ou a excepção.
E assim começa a nossa viagem...
Um comerciante rico, o seu guia e um carregador vão numa expedição de três dias até Urga, para que o comerciante consiga ser o primeiro a conseguir a concessão de um poço de petróleo. A viagem é longa e tortuosa, terminando com o despedimento do guia e com a morte do carregador.
Na segunda parte da peça assistimos ao julgamento do comerciante e à interessante questão: devemos seguir a regra ou a excepção?
Imagine esta aventura como se as personagens tivessem acabado de sair de um livro de BD.
Imagine esta aventura como se fosse um filme, mas, em teatro. Estranho?!

Pedimo-vos no entanto:
Estranhem o que não for estranho!
Não aceitem o que for normal!

Rui Quintas
Ficha Artística e Técnica

A Excepção e a Regra

De Bertolt Brecht
Encenação Rui Quintas
Assistente de Encenação Carla Carreiro Mendes
Interpretação Alexandre Antunes, Catarina Santana, Henrique Gomes, João Parreira, João Silva, Manuel Alpalhão, Rui Félix, Rui Martins e Vítor Nuno

Cenografia João Pimenta | Construção e Montagem António Santinho | Figurinos e Adereços Ana Pimpista | Música Gustavo Teixeira | Apoio Técnico Musical Rolando Amaral | Figurinos Ana Pimpista | Apoio aos Figurinos Oficina de Costura Criativa | Caracterização Sónia da Luz | Desenho de Luz Rui Quintas | Montagem João Oliveira Júnior | Operação Técnica Joana Gabriel e Maria Inês Santos | Design Gráfico João Pimenta | Produção Executiva Catarina Santana | Fotografia Cláudio Ferreira | Apoio Geral João Henrique Oliveira | Agradecimentos a Céu Madeiras.

Classificação M/12 anos.
Duração 60m. 

ArteViva - Companhia de Teatro do Barreiro 



De todas as artes cénicas, a mais radiofónica é o Teatro.
O Teatro Radiofónico foi uma tradição de décadas na Rádio portuguesa. Actualmente é residual, mas continua a existir.
Na Rádio pública e na Rádio privada há actualmente dois programas de Teatro.
No serviço público de radiodifusão «Teatro Sem Fios» na Antena2 e, na TSF-Rádio Notícias, «Teatro de Bolso».  

Teatro Sem Fios
(ocasional)
Ouvir aqui 

Teatro de Bolso
Quarta-feira
14:30; 21:30
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