quinta-feira, 27 de março de 2014

Emídio Rangel DIXIT












Extractos da entrevista do fundador da TSF ao jornal «i»:

A RDP não reconhecia a iniciativa das pessoas, era uma estrutura muito pesada, manietada pelos sucessivos governos. Comecei a pensar que Portugal não podia continuar a viver com uma emissora do Estado e outra da Igreja. Era necessário libertar a rádio, fazer um combate para que fosse possível criar novas emissoras. Depois do boom das rádios piratas concorremos a uma frequência e ganhamos uma local. Foi uma batalha que durou mais de seis anos, para conseguirmos que isso fosse possível e termos condições para fazer a TSF. 

Mas nesse concurso não ganharam a frequência maior, regional, que ficou para a Rádio Correio da Manhã, e quedaram-se com uma local. 

Deram-nos apenas uma frequência local, quando éramos uma emissora que privilegiava a informação. Houve uma clara manipulação política do concurso, aos governos da altura não interessava uma rádio independente do ponto de vista informativo, preferiam outro tipo de projectos menos dedicados a fazer informação. Aqui ganhou o Correio da Manhã, no Norte ganhou a Lusomundo. Decidiram a solução que lhes dava mais tranquilidade e segurança. 

Como tentaram ultrapassar essas limitações? 

Nós não aceitámos essas limitações. Passamos a fazer as coisas de uma maneira diferente. Não aceitávamos o "Portugal sentado" da agenda dos outros órgãos de comunicação social. Queríamos dar voz às pessoas. Ter gente dentro das nossas notícias. A informação que havia era uma informação cheia de hierarquias e muito respeitinho: primeiro apareciam as notícias do Presidente da República, depois eram as do primeiro-ministro, e a cadeia alimentar seguia com ministros, secretários de Estado, deputados, presidentes de câmara até aos chefes de repartição. Nós introduzimos uma pequena revolução: abríamos jornais com o que fosse importante. Tanto podíamos abrir com uma greve como com desporto. Isto era para muita gente um crime de lesa-pátria. 

In: jornal «i»
Portugal 25 de Abril. 40 Anos 
Por Nuno Ramos de Almeida, publicado em 25 Mar 2014 
Fotografia de Rodrigo Cabrita. 
Na íntegra aqui

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Emídio Rangel no Canal Q (propriedade das Produções Fictícias), entrevistado por Aurélio Gomes.
Emissão do dia 24 de Abril de 2010:


A TSF-Rádio Jornal (estação local de Lisboa), dirigida por Emídio Rangel, começou a emitir no dia 29 de Fevereiro de 1988.
O CMR-Correio da Manhã Rádio (rede regional Sul), dirigida por Carlos Barbosa, encerrou em 1993. 



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