quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ele em minha casa



Uma Noite Passada
O grande palco começou a ser montado durante o dia de quarta-feira. Na tarde de quinta-feira foi a instalação dos equipamentos sonoro e luminoso. Sob o calor de uma tarde de verão antecipado, decorrem os testes de som, a afinação dos instrumentos e dos tons vocais. Sérgio Godinho de óculos escuros, alinhava as palavras de “Dias úteis” e outras canções que iriam fazer parte do alinhamento daí a umas horas: “…vou ao fundo do mar no peito de uma mulher bonita…”. Pela primeira vez este ano, sinto o ar quente e doce na boca. E a noite, não se ficaria atrás.
Enquanto SG segue, com a sua comitiva, em direcção ao jantar no «Verde Minho», passa na rádio uma entrevista ao músico francês Jean Michel Jarre que, nos dias seguintes, iria estar ao vivo pela primeira vez em Portugal para concertos, nos Coliseus de Lisboa e Porto. Até aqui tudo bem. Acontece que a entrevista estava datada. Era uma repetição e por nenhuma vez os ouvintes foram avisados disso. E, assim, ouviram-se palavras há muito ultrapassadas pelo tempo, como por exemplo, Jean Michel Jarre referir que gosta muito da ficção de Arthur C. Clark e que já não o via há algum tempo (Arthur C. Clarke morreu no passado dia 19 de Março!) ou ainda a referência à ausência de concertos de JMJ em Portugal (ora, os concertos de Lisboa e Porto estavam anunciados e confirmados há meses!). É um clássico exemplo da tal falta de respeito pelos ouvintes (que não são estúpidos) e que muitas vezes se fala por aí… com toda a razão. A entrevista – esta entrevista – a Jean Michel Jarre tinha sido emitida pela primeira vez há meses, antes da morte de Arthur C. Clarke e antes do anúncio dos concertos de JMJ em Portugal. Este caso tinha duas soluções possíveis e óbvias: ou se assumia claramente que se tratava de uma repetição integral – referindo a data original de emissão, ou se eliminavam as frases datadas. Eu optaria pela primeira das soluções. Nem um nem outro procedimento foram executados. O pior é que, quase uma semana depois, no mesmo sítio e à mesma hora, voltou a acontecer o mesmo: desta vez, uma entrevista ao músico português Miguel Azguime, datada de 2003 com referências temporais a esse ano como se fosse hoje. Lamentável.
Voltando à festa: 24 de Abril, às 22:00; SG já sob o efeito dos holofotes dirigiu-se – pela primeira de muitas vezes – à multidão, dizendo que a noite “está fantástica”. E estava mesmo. Grande enchente, no mesmo local onde nesta mesma noite de celebração da Liberdade em Portugal – e em anos anteriores – estiveram Rui Veloso, Ala dos Namorados, Lenine (2000) e Jorge Palma (2006). No ano passado, o frio fora de época e as “águas mil” afastaram o público da festa preparada por Pedro Abrunhosa & Bandemónio.
Oito em palco, incluindo SG e o director musical Nuno Rafael, o rapaz da camisola azul.
Do alinhamento, ao qual «Às Vezes o Amor» não fugiu, faltou (aliás, falta sempre) a minha preferida de SG: “A Noite Passada”. Não foi por isso que a noite foi mal passada. Logo depois, um salto ali ao concelho do lado, nas margens da baía. A festa continuava na noite quente.



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